Fabricio.adm.br Apresentação pessoal e currículo Artigos, poemas, textos diversos de minha autoria Fotos de alunos, ex-alunos e pessoais Apostilas, exercícios, trabalhos e demais materiais para uso em sala de aula Livros, filmes, acessórios e produtos tecnológicos para Administradores Vídeo aulas, podcast, dinâmicas gravadas, etc. Cursos rápidos e gratuitos para desenvolvimento de habilidades gerenciais Cadastro para alunos, com o objetivo de informá-los sobre a disponibilização de material didático a ser trabalhado em sala Página inicial

Teatro Empresarial: a Arte a Serviço da Aprendizagem

Siga-me
Blog
Blog
Twitter
Twitter
Orkut
Orkut
YouTube
YouTube
Compartilhe
Compartilhe

Artigo publicado na revista universitária CÁTEDRA, da FUNCAB - Fundação Educacional Castelo Branco. Ano III - n.3 - janeiro/dezembro 2000 - Colatina-ES

Resumo: A nova tendência do treinamento empresarial e da educação de modo geral é sua grande proximidade ao entretenimento. Diversão e aprendizagem tendem a ser muito semelhantes dentro de pouco tempo. Mediante tal perspectiva, novas tecnologias poderão ter papel importante, tais como a internet e a realidade virtual. Contudo, outras linguagens de comunicação também poderão ser empregadas mais acirradamente, como, por exemplo, o teatro.
É fato comprovado que o teatro, por estimular não só o racional do indivíduo como também o emocional, é uma ferramenta poderosa de aprendizagem.

Palavras-chave: teatro, treinamento, entretenimento como forma de aprendizagem, dramatização, dinâmica de grupo, desenvolvimento humano.

Mediante tantas mudanças do mundo globalizado, como ficam o treinamento empresarial e a educação de modo geral? Respondendo a esta pergunta e a outras questões envolvidas, a consultora e escritora norte americana Weiner (1998) nos diz que, em um futuro próximo, a aprendizagem, para ter efeito, deverá ser vista como uma forma de diversão, de entretenimento. Tecnologias como a internet e a realidade virtual poderão ter função garantida dentro deste novo contexto da educação.

Entretanto, ressurgem também técnicas de ensino que vêm satisfazer estas necessidades de forma mais simples e envolvente. Historiadores e arqueólogos comprovam que nos primórdios da civilização, a arte era considerada a principal forma de transmissão de conhecimento: são os desenhos em cavernas, são as danças sagradas de diferentes países, obras arquitetônicas, esculturas e pinturas que passam de geração em geração, constituindo-se numa avalanche de informações que plantam no indivíduo a semente da inspiração de onde germinam idéias, sensações e pensamentos que promovem a inovação e a assimilação de conhecimentos.

De maneira impressionante, as artes voltaram nos dias de hoje a assumir mais este nobre papel, onde sua função lúdica passa a ser a ponte para um sólido aprendizado.

O teatro na Antiguidade tinha função educadora: a transmissão do conhecimento baseado na fé. Após esse período, passou a ser predominantemente uma forma de divertimento e lazer. Hoje, além dessas funções, tornou-se também uma opção para difusão de conhecimentos científicos – quando aplicado em treinamentos e na educação – e também um método para conhecer o ser humano, se considerarmos as técnicas do Psicodrama, por exemplo, nas quais simulam-se situações em que se observa a atitude e o comportamento do indivíduo, presumindo-se assim como será sua atitude no futuro perante situações semelhantes.

Neto (1999) nos diz que o desenvolvimento humano de modo geral é unilateral e unidirecional, o que provoca uma atitude mecânica em relação ao mundo e à vida. No trabalho não costuma ser diferente. É comum, por exemplo, as empresas tentarem passar aos seus funcionários os conceitos da qualidade como uma relação de tarefas que devem ser realizadas desta ou daquela forma. Manuais, normas e procedimentos pré-determinados, cujo intuito é ensinar – ou seria melhor dizer “alienar”? – como se deve fazer, mas não revelam o valor essencial da atividade a ser desempenhada. Considerando muitas pessoas não trabalham com aquilo que sonharam um dia, essa definição fria e calculista de suas tarefas torna para muitos o salário seu único incentivo para continuar. No entanto, "não existe nenhum trabalho que não seja enobrecedor ou que não acrescente algo de positivo à personalidade das pessoas" (Olivares, 1995).

O teatro empresarial procura trazer alternativas para as soluções desses problemas, um bem que será útil tanto na vida profissional como na vida pessoal dos indivíduos. Trata-se do aperfeiçoamento de técnicas (por envolver a simulação de procedimentos) e de pessoas (por envolver emoções naturais nos trabalhos intergrupais) e que estimula também a flexibilidade tão necessária nos dias de hoje.

Quando assistem a uma peça com tal finalidade, os indivíduos se envolvem e percebem valores que são aprendidos e assimilados profundamente. Tal envolvimento tende a fazer com que a platéia sinta e acredite por alguns instantes no que o personagem sente ou sugere que esteja acontecendo.

Quando o funcionário atua como ator com o devido preparo e seguindo as instruções de um orientador o resultado é ainda melhor, pois se trabalham de forma mais intensa também aspectos de sua a criatividade e de seu senso de iniciativa, assim como o aumento da sensibilidade interpessoal.

Alguns exercícios teatrais possibilitam que o indivíduo passe a se conhecer melhor, percebendo que seu corpo se comunica mais que as palavras: é a chamada linguagem corporal. Expressões faciais e corporais podem dizer mais sobre as pessoas do que elas gostariam ou imaginariam, muitas vezes causando até mesmo más interpretações. Consciente disso, o indivíduo passa a ter subsídios para aperfeiçoar essa forma de comunicação.

Na empresa, é possível fazer pressuposições a respeito do comportamento dos funcionários através do Psicodrama, que é a interpretação de aspectos psicológicos dos indivíduos através de técnicas dramáticas. O jogo teatral deve capturar a atividade humana, melhorá-la e em seguida devolvê-la ao funcionário, que agora estará preparado para reagir conforme as circunstâncias afins.

Existe também uma outra modalidade muito aplicada e que normalmente retorna bons resultados: é quando os atores externos interagem com a platéia formada pelos funcionários. Guy Schmidt, experiente membro do Grupo Teatro Academia, nos ensina que "Há uma certa inibição quanto a esta participação, mas após a primeira os demais se soltam e começam a participar. Outras vezes eles nos dão sugestões para que modifiquemos a cena a fim de resolver o conflito e podemos questionar ou não a solução apresentada. No caso da participação do funcionário, procuramos dificultar ao máximo a dissolução do conflito para ver como o mesmo se sai, mas procuramos não o expor a situações humilhantes, facilitando caso sintamos que ele não dará conta do recado. Há um limite para a brincadeira".

Em todos os casos, é interessante perceber como ocorre essa aprendizagem: situações imaginárias causam reflexões internas que proporcionam autoconhecimento e, consequentemente, promovem uma avaliação mais consciente que gera ações mais lúcidas, precisas e produtivas.

Por "fazer a coisa acontecer", o teatro proporciona ao indivíduo uma experiência completa, onde todos os seus sentidos podem receber estímulos. A informação não é fria e possui intensa carga emotiva característica dessa arte cênica. Isso tudo, aliado à diversão, torna o treinamento com teatro uma experiência transcendental com amplo acesso ao indivíduo.

Atingindo em profundidade o espectador – tanto em nível racional como em nível emocional – o teatro a serviço do treinamento resulta em alto índice de assimilação e retenção do conteúdo enfocado. Entretanto, não se trata de uma manipulação, uma vez que a visão crítica é preservada e o espectador continua consciente e de posse de sua capacidade intelectual aguçada pelo alto nível de atenção. "Em diversas empresas, quando seus colaboradores sabiam que íamos apresentar, lotavam o auditório, refeitório ou pátio da empresa, como nunca havia acontecido antes. E quando acabava a apresentação, chamavam seus amigos pelos nomes das personagens, conforme a identificação. A mudança de postura era inevitável”, diz Júlio Margaridal, diretor da Grafite Teatro Empresarial.

Utilizando-se dos vocabulários de todas as outras artes e incorporando ainda novas tecnologias como iluminação, efeitos luminosos, sonoros e mecânicos, o teatro permite ao público o acesso a uma imensa gama de informações valiosas em poucos minutos de cena.

Em suma, Weiner (1998) sintetizou sabiamente em 1998 a essência do novo conceito de treinamento para a nova era: "A idéia de treinamento é algo que rapidamente será desprovido de sofisticação. A verdade é que podemos aprender melhor através do entretenimento. E isso faz o aprendizado muito mais poderoso, gostoso, útil e aplicável. Todo treinamento deverá vir pela via da educação e toda educação deverá ser entretenimento".

Referências Bibliográficas

1) BEAL, George M., BOHLEN, Joe M., RAUDABAUGH, J. Neil. Liderança e Dinâmica de Grupo. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1972.

2) CARVALHO, Antonio Vieira de e NASCIMENTO, Luiz Paulo do. Administração de Recursos Humanos. Vol.1. São Paulo: Pioneira, 1999.

3). NETO, Dum de Lucca. Em Cena a Organização. Treinamento & Desenvolvimento. T&D. ano VII. n.78. São Paulo. Brasil. Junho. 1999.

4) OLIVARES, Inês Cozzo. Os jogos teatrais no desenvolvimento humano. Treinamento & Desenvolvimento. T&D. ano III. n.34. São Paulo. Brasil. Outubro. 1995.

5) WEINER, Edith. Divirta-se! Treinamento & Desenvolvimento. T&D. ano VI. n.68. São Paulo. Brasil. Agosto. 1998.

6) Entrevista com GUY SCHMIDT, membro do Grupo Teatro Academia – GTA, diretor teatral, ator, dramaturgo, cenógrafo, iluminador. 21 anos de experiência na área teatral, em 1999.
E-mail: guy@powerline.com.br e gta@powerline.com.br
Site: www.academia.com.br/gtaindex.html

7) Entrevista com JÚLIO MARGARIDA, diretor artístico da Grafite Teatro Empresarial, ator, diretor e dramaturgo de teatro empresarial. 12 anos de experiência da na área teatral, sendo 8 na área de teatro empresarial, em 1999.
Site: www.teatroempresarial.com.br.
E-mail: grafite@teatroempresarial.com.br

Envie este texto por e-mail

 


HOME | QUEM SOU | TEXTOS | FOTOS | SALA DE AULA VIRTUAL | LOJA VIRTUAL | MULTIMÍDIA | WORKSHOPS | CADASTRO | INDIQUE ESTE SITE | ADICIONE AOS FAVORITOS | FALE COMIGO | MAPA DO SITE

©2009 Fabricio Moraes Cunha. Todos os direitos reservados.
A reprodução parcial é permitida, desde que citada a fonte.

 

Voltar para a página anterior Ir para o topo da página